Ei! Marionetas / Teatro e Marionetas de Mandrágora

Ei! Marionetas / Teatro e Marionetas de Mandrágora

Ei! Marionetas - Encontro Internacional de Marionetas de Gondomar 2026


A Oliveira Milenar [ ESPETÁCULO ]


21 JUN. 16h00 . DOMINGOAuditório Clotilde Mota (Auditório da Banda Musical de Melres)
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A Oliveira Milenar

Uma casa amarela foi erguida num monte a perder de vista e a família que vive dentro está ameaçada pela construção de uma estrada. Há um espaço que começa a ser esventrado com um pó qualquer de ínfima esperança, que é o que nos faz continuar — apesar do horror.

Nesta casa, todos veem a mesma coisa de forma muito diferente. E isso afasta — e também aproxima.

É um lugar de contrastes. O amor dá lugar à desolação, o nevão dá lugar ao fogo.


  • Há a dor individual daquela família e há um suposto progresso coletivo na construção de uma estrada que liga dois pontos antes afastados. Esta casa é, para os construtores da estrada, um espaço anónimo. Para quem nela habita, a casa é o seu lar; a estrada é que será o espaço anónimo.
    Esta história é cíclica e provoca abissais desencontros. Eu sinto uma experiência de uma forma e não entendo a forma como tu a sentes. Há muitas forças de poder que manietam as ações e abrem espaço à desumanização.
    A oliveira milenar tem uma aparente imobilidade e raízes bem assentes face às alterações do espaço e do tempo — o nascimento da casa amarela, a passagem ou a permanência de pessoas. O universo feminino é o centro; há doenças que se tentam curar nas mulheres, como a visão dupla. Quando arrancamos uma planta, vemos as raízes, a interrupção. Mesmo a raiz de um dente: na raiz fica a ausência do que antes foi inteiro. O que é essa ausência numa pessoa desenraizada?
    A narrativa é apresentada através da Oliveira Milenar, com constantes atropelos de personagens, como quem quer contar melhor o seu ponto de vista, tentando captar a polifonia do romance. Temos todos muitas vozes na nossa cabeça — as nossas, as dos outros e o seu contrário. E estas vozes tendem a ser contraditórias.
    Há avanços e recuos não lineares e um mergulho no inconsciente e na loucura, entre o real — será o real a alucinação de cada um? — e o irreal. Dançamos entre o exterior e o interior. Por um lado, o concreto exterior (até no seu duplo sentido, o de betão); por outro, o devaneio emocional e interior nas cabeças daquela família. Andam entre o sono, o sonho, a vigília e um real difícil de compreender. Com amplitudes emocionais: momentos de festa, de intensa alegria, momentos em que se ama e em que se magoa. As coisas partem-se, quebram-se; estilhaçam-se objetos e ilusões. Procura-se uma primeira ternura, a raiz a que voltar.
  • o que o festival tem a dizer

    Depois da estreia, o “A Oliveira Milenar” faz a sua digressão pelo território nacional. Temos muito gosto em apresentar, no Ei! Marionetas - Encontro Internacional de Marionetas de Gondomar, este novo projeto.

    Esta foi uma criação nascida em diversos territórios, mas acima de tudo nascida no diálogo entre a escritora Marta Pais Oliveira e um conjunto de artistas que foram fazendo uma interpretação do romance “Escavadoras”. Uma viagem que mistura objetos, máscaras, um dispositivo cénico que vai beber ao mais fundo das raízes das árvores para nos lançar um pensamento contemporâneo alicerçado na tensão daquele momento que prevê a sua destruição. Esta é uma linguagem de comunicação entre a marioneta e o ator, de uma grande densidade, como pautam as obras que o Teatro Marionetas de Mandrágora apresenta com a assinatura da artista Clara Ribeiro nessa ponderação sobre as preocupações sociais contemporâneas.

    Teatro e Marionetas de Mandrágora

    O Teatro e Marionetas de Mandrágora é uma companhia profissional de teatro de marionetas com direção artística de Clara Ribeiro e Filipa Mesquita e direção plástica de enVide neFelibata. A Companhia foi fundada a 2 de abril de 2002. Na simbiose de uma linguagem simbólica que conjuga o património e o legado tradicional com o pensamento e a dinâmica da sociedade contemporânea, num diálogo nem sempre pacífico surge um elemento fundamental, a marioneta. Este elemento apoia-nos na procura de uma identidade cultural própria.

    O nosso objetivo é o de descobrir as potencialidades estéticas, plásticas, cénicas e dramáticas da marioneta em si mesma, como em relação com o ator e nessa descoberta explorar a dramaturgia que nos caracteriza: a de explorar a cultura, a crença e a lenda aliada à urbe, à exploração tecnológica e à velocidade da aldeia global. Ao longo do nosso percurso artístico têm sido diversas as propostas quer nos públicos; adulto, jovem, escolar e familiar; quer na formação de base ou especializada. Uma das nossas grandes apostas é a digressão nacional e internacional dos projetos. Descentralização, trabalho comunitário, criação em parceria e a valorização social e inclusiva são preocupações preponderantes no nosso quotidiano.

     

    Ao longo de mais de duas décadas afirmámos a Companhia como uma estrutura de criação artística contemporânea através das dezenas de propostas de espetáculos apresentadas nacional e internacionalmente, quer sejam criações próprias, bem como em colaboração com outras estruturas e entidades culturais nacionais e internacionais.

    Temos como premissa dar espaço à liberdade criativa da nossa equipa artística, garantindo a existência dentro da própria estrutura de várias linguagens e diversas visões que se unem num ponto comum do desenvolvimento da arte do teatro das marionetas. A ponderação sobre a problemática das fragilidades sociais e um olhar atento sobre tradições e sobre o património são as bases da dramaturgia da estrutura que se consolidam em olhares distintos, mas simultaneamente convergentes.

    É fundamental o diálogo com os diferenciados públicos e a envolvência da criação nos distintos contextos e espaços, bem como a interceção entre entidades e estruturas, criando propostas multidisciplinares que visam sobretudo a comunicação artística com os públicos.

    Salienta-se ainda a colaboração com inúmeros serviços educativos no programa de implementação de atividades em instituições como monumentos, museus e património edificado.

    ficha artística

    DIREÇÃO ARTÍSTICA Clara Ribeiro
    DRAMATURGIA E ENCENAÇÃO Clara Ribeiro
    TEXTO ORIGINAL Marta Pais Oliveira
    ADAPTAÇÃO DO TEXTO Marta Pais Oliveira
    CONSULTADORIA ARTÍSTICA Filipa Mesquita
    INTERPRETAÇÃO Clara Ribeiro, Neusa Fangueiro
    DIREÇÃO PLÁSTICA enVide neFelibata
    MARIONETAS enVide neFelibata
    APOIO À CONSTRUÇÃO DAS MARIONETAS Joaquim de Sousa
    DESENHO DA CENOGRAFIA enVide neFelibata
    CONSTRUÇÃO DA CENOGRAFIA Migvel Tepes
    APOIO À CONSTRUÇÃO DA CENOGRAFIA Cátia Silva, Joaquim de Sousa
    TECIDOS DA CENOGRAFIA Marta Fernandes da Silva
    ADEREÇOS enVide neFelibata, Joaquim de Sousa, Migvel Tepes
    FIGURINOS Patrícia Costa
    COSTUREIRA Alice Mendes
    MÚSICA CÉNICA Hugo Morango
    NARRAÇÃO RÁDIO Eurico Santos
    VÍDEO Nuno Pinto
    ANIMAÇÃO VÍDEO Pedro Araújo
    DIREÇÃO TÉCNICA César Cardoso
    DESENHO E OPERAÇÃO DE LUZ César Cardoso
    FOTOGRAFIA PROMOCIONAL Ana Filipa Rodrigues
    VÍDEO PROMOCIONAL Nuno Pinto
    DESIGN E ILUSTRAÇÃO DO CARTAZ Pedro Araújo
    DESIGN enVide neFelibata
    TEXTOS PROMOCIONAIS Clara Ribeiro, Filipa Mesquita, Marta Pais Oliveira
    PRODUÇÃO EXECUTIVA Hélder David Duarte
    PRODUÇÃO Teatro e Marionetas de Mandrágora
    RESIDÊNCIA Auditório de Espinho – Academia, Fossekleiva Kultursenter
    APOIO República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, Município de Espinho / Museu Municipal de Espinho, Município de Gondomar
    AGRADECIMENTOS Fértil Cultural, Folk & Wild, Franzisca Aarflot, Iain Halket, Niels A. W. Jensen

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